Primitiva Igreja da Murtosa e Cruzeiro da Independência

Antes da construção da atual Igreja Matriz, o centro da vida religiosa da Murtosa situava-se no local onde hoje se encontra a Praça Egas Moniz, espaço que os murtoseiros continuam a identificar, na sua maioria, como o Largo da Feira dos 5.

Foi neste local que existiu, até ao final do século XVII, a primitiva igreja paroquial da Murtosa. Durante várias gerações, este templo acolheu as principais celebrações religiosas da comunidade e desempenhou um papel central na organização da vida social e espiritual da freguesia.

Junto à antiga igreja localizava-se igualmente o seu adro, que serviu durante muitos anos como cemitério. Apenas com a construção da atual Igreja Matriz e a transferência das funções religiosas para o novo templo é que o cemitério foi desativado e o espaço perdeu a sua função original.

Mesmo após o desaparecimento da antiga igreja, o terreno continuou durante muito tempo a ser conhecido como Adro Velho, preservando na memória coletiva a ligação ao antigo centro religioso da freguesia. Ainda hoje é possível observar no local uma peça em pedra pertencente à primitiva igreja, testemunho material desse passado e um dos poucos vestígios que chegaram aos nossos dias.

Memória da Igreja Primitiva da Murtosa (Praça Egas Moniz)

A partir do início do século XX, este espaço conheceu uma nova vocação. Em 5 de fevereiro de 1918, realizou-se ali, pela primeira vez, a célebre Feira dos 5, assim designada por acontecer no dia 5 de cada mês. A feira tornou-se rapidamente uma referência regional, destacando-se sobretudo pelo comércio de gado suíno, embora também reunisse comerciantes, agricultores e visitantes provenientes de várias localidades vizinhas.

Ao longo das décadas, o Largo da Feira dos 5 foi assumindo diferentes funções na vida da comunidade. Entre as suas curiosidades históricas encontra-se o facto de, em 1923, ter servido como um improvisado campo de futebol, testemunhando a crescente popularidade da modalidade na freguesia.

Foi igualmente neste largo que, a 3 de novembro de 1940, foi inaugurado o Cruzeiro da Independência, monumento erguido para assinalar os 300 anos da Restauração da Independência do Reino de Portugal, ocorrida em 1640. Integrado nas comemorações nacionais promovidas em todo o país, o cruzeiro simboliza a recuperação da soberania portuguesa após sessenta anos de domínio filipino e constitui um marco da memória histórica e patriótica da Murtosa.

Cruzeiro da Independência (1941)

Hoje, a Praça Egas Moniz reúne diferentes camadas da história local. Da antiga igreja paroquial à Feira dos 5, passando pelo antigo cemitério, pelo primeiro campo de futebol da freguesia e pelo Cruzeiro da Independência, este é um espaço onde se cruzam a memória religiosa, a atividade económica, o convívio social e a identidade coletiva dos murtoseiros.