A Igreja Matriz de Santa Maria da Murtosa constitui o principal templo religioso da freguesia e um dos seus mais importantes marcos patrimoniais. Edificada no final do século XVII, assinala uma etapa decisiva na história da comunidade murtoseira, acompanhando o crescimento populacional e a afirmação da então recente paróquia.
A construção da igreja remonta aos últimos anos do século XVII, tendo sido celebrado o primeiro batismo no novo templo em 31 de outubro de 1699 que, desde então, se tornou o centro da vida religiosa da comunidade murtoseira.

No seu interior destaca-se a ampla nave principal, caracterizada pelo elevado pé-direito e pela sobriedade arquitetónica, que conduz o olhar até ao altar-mor. Este apresenta um notável retábulo em talha dourada, uma das mais relevantes expressões da arte sacra portuguesa dos séculos XVII e XVIII, conferindo ao espaço uma particular riqueza artística e espiritual.
Ao longo das paredes laterais da nave encontram-se quatro capelas, igualmente dotadas de altares em talha dourada, testemunhando a devoção de diferentes irmandades e gerações de fiéis que contribuíram para o enriquecimento do templo ao longo dos séculos.
Ao sair da igreja, à direita, o visitante encontra a Praça dos Combatentes da Grande Guerra, espaço que associa o património religioso à memória histórica da comunidade.
No centro da praça ergue-se o Monumento aos Mortos da Primeira Guerra Mundial, inaugurado a 9 de abril de 1929. A data escolhida para a inauguração não foi casual, evocando a Batalha de La Lys, travada em 9 de abril de 1918, um dos episódios mais marcantes da participação portuguesa na Primeira Guerra Mundial.

Na mesma ocasião, o largo fronteiro à Igreja Matriz passou oficialmente a designar-se Praça dos Combatentes da Grande Guerra, perpetuando a homenagem aos militares da freguesia que participaram no conflito e, em particular, àqueles que perderam a vida ao serviço de Portugal.
Hoje, o conjunto formado pela Igreja Matriz e pela Praça dos Combatentes da Grande Guerra representa um dos espaços mais emblemáticos da Murtosa. Aqui cruzam-se séculos de história, fé, identidade e memória coletiva, tornando este local uma paragem indispensável para compreender a evolução histórica e cultural da freguesia.