A Igreja de São Lourenço e a Praça de Pardelhas ocupam um lugar central na vida da Murtosa. Este conjunto reúne património religioso, memória urbana e identidade comunitária, refletindo a evolução de Pardelhas ao longo dos séculos e o seu papel como centro administrativo e comercial do concelho.
A atual Igreja de São Lourenço começou a ser construída em 1931, por iniciativa do Abade Dr. Oliveira e Cunha, uma das figuras mais marcantes da história religiosa da Murtosa. Mais tarde, viria a desempenhar funções de grande relevo como Abade da Sé do Porto e Provedor da Santa Casa da Misericórdia da Murtosa.

A construção da igreja esteve a cargo de três mestres da região: Mestre Valentim, da Murtosa, Mestre João Carlos Fidalgo, do Monte, e Mestre Alberto dos Santos, conhecido por Camilo, natural de Pardilhó. O seu trabalho deu origem ao templo que ainda hoje constitui a principal referência religiosa do lugar de Pardelhas.

A inauguração da igreja teve lugar em 19 de novembro de 1939, data que coincidiu com a criação da Paróquia de São Lourenço, conferindo ao momento um significado particularmente importante para a população local.
A nova igreja veio substituir a Capela de São Lourenço, inaugurada em fevereiro de 1885, que se situava na extremidade norte da atual praça.

Esta não foi, contudo, a primeira capela dedicada ao padroeiro de Pardelhas. Ao longo da história existiram outras duas: uma implantada junto ao atual traçado da estrada municipal entre Estarreja e Murtosa e outra, ainda mais antiga, localizada no caminho que liga Pardelhas à Murtosa, a norte do edifício da antiga Câmara Municipal, onde atualmente existe um parque de estacionamento.
A história da praça está intimamente ligada ao desenvolvimento da atividade comercial da vila. Por volta de 1875, os pescadores transferiram o mercado de Veiros para Pardelhas. Inicialmente, a falta de espaço obrigava à realização do mercado nos caminhos que convergiam para a Capela de São Lourenço, em direção aos lugares do Esteiro, Monte e Murtosa.
À medida que o mercado crescia em importância e afluência, foi-se expandindo para norte, dando origem ao amplo largo que viria a transformar-se na atual praça. Durante vários anos, este espaço foi o principal centro comercial e de convívio da população, desempenhando um papel fundamental no desenvolvimento urbano da Murtosa.
Com a criação do concelho da Murtosa e a afirmação de Pardelhas como seu centro administrativo, o largo passou a designar-se Praça da Varina. No centro foi erguida uma estátua em pedra ançã representando a Varina, figura emblemática da mulher murtoseira, símbolo do trabalho, da coragem e da forte ligação da população à actividade da pesca e ao comércio do peixe.

Em 29 de outubro de 1951, precisamente vinte e cinco anos após a criação do concelho da Murtosa, a estátua da Varina foi retirada para dar lugar ao Monumento ao Almirante Jaime Afreixo, composto por um busto em bronze em homenagem a uma das personalidades que mais contribuiu para a criação do concelho, oficialmente instituído em 29 de outubro de 1926.

Desde então, o espaço passou a designar-se Praça Jaime Afreixo, nome que conserva até aos nossos dias e que perpetua a memória de um dos principais impulsionadores da autonomia administrativa da Murtosa.
A Igreja de São Lourenço e a Praça Jaime Afreixo formam, assim, um conjunto de elevado valor histórico e simbólico, onde se cruzam a evolução religiosa, comercial e urbana da vila, constituindo um dos locais mais representativos da identidade murtoseira.