Os dois edifícios que aqui vemos testemunham uma parte importante da história industrial da Murtosa. Ao longo de várias décadas, estes espaços estiveram associados a duas atividades que marcaram profundamente a economia local: a produção de manteiga e a indústria conserveira.
A história deste edifício, começa com a inauguração, em 14 de outubro de 1932, da Fábrica de Lacticínios da Murtosa, situada no lugar do Rego da Pulga, em Pardelhas.

Propriedade de António Joaquim Tavares Gravato, a unidade destacou-se pela inovação e pelas rigorosas condições de higiene, apresentando-se como "a mais higiénica de todas as fábricas de manteiga". Dela saía a prestigiada Manteiga Andorinha, uma marca que rapidamente conquistou reconhecimento pela sua qualidade e que era comercializada não apenas na região, mas também em cidades como Lisboa.

O desenvolvimento da empresa ficou igualmente marcado pela atribuição, em 27 de janeiro de 1938, do respetivo Cartão de Sanidade, documento indispensável para o exercício da atividade industrial e que atestava o cumprimento das normas higiénicas então em vigor.

Apesar do prestígio alcançado, a fábrica de lacticínios teve uma existência relativamente breve, cessando a sua atividade em setembro de 1942. Pouco depois, a 20 de setembro desse mesmo ano, as instalações foram arrendadas à Cooperativa Agrícola da Murtosa, iniciando uma nova etapa na história do edifício.
Foi também em 1942 que, ao lado, nasceu a Fábrica de Conservas da Murtosa, mais conhecida simplesmente por COMUR ou Fábrica das Enguias. A empresa viria a tornar-se uma das mais emblemáticas indústrias conserveiras da região, profundamente ligada à identidade gastronómica da Murtosa e da Ria de Aveiro.
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Entre os seus produtos mais característicos destacavam-se as famosas enguias conservadas em barricas de madeira, imagem que durante décadas se tornou um verdadeiro símbolo da marca e da tradição conserveira murtoseira.
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Nas décadas seguintes, a COMUR consolidou a sua notoriedade, levando os sabores da ria a diferentes mercados nacionais e internacionais.
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Já na década de 1980, a empresa foi adquirida pelo Grupo Visabeira, que transferiu a produção para uma moderna unidade industrial na Zona Industrial da Murtosa, adaptando a atividade às exigências da indústria contemporânea.
O edifício histórico permaneceu, contudo, como um importante símbolo da memória industrial da freguesia. Posteriormente adquirido pela Câmara Municipal da Murtosa, foi recuperado para acolher o COMUR – Museu Municipal, espaço dedicado à preservação da história da fábrica, da indústria conserveira e da relação secular da população com a enguia e a Ria de Aveiro.
Hoje, este conjunto constitui um dos mais relevantes testemunhos do património industrial da Murtosa, permitindo aos visitantes conhecer a evolução das atividades económicas que ajudaram a moldar a identidade do concelho e a preservar a memória de gerações de trabalhadores que aqui desenvolveram o seu labor.