Durante muitos anos, existiu no lugar do Ribeiro, na Calçada de São Roque, uma pequena ermida dedicada a São Roque, santo tradicionalmente invocado como protetor contra as epidemias, as doenças e outras enfermidades. Apesar da sua importância para a população local, a modesta capela revelou-se insuficiente para acolher o crescente número de fiéis que ali acorriam em momentos de devoção e de celebração religiosa.

Perante esta realidade, foi tomada a decisão de demolir a antiga ermida e construir um novo templo, mais amplo e digno das necessidades da comunidade. Para tornar possível esta obra, a benemérita Francisca Mansa de Campos, proprietária de terrenos contíguos, ofereceu gratuitamente o espaço necessário para a construção da nova capela, com uma área de cerca de 109 m².
As obras tiveram início em 1931, seguindo o projeto do conceituado mestre de obras Joaquim Ferreira Valente, mais conhecido por Mestre Crispim, responsável por diversos trabalhos de referência na região.
Embora o edifício ainda estivesse em construção, a Capela-Mor foi inaugurada a 19 de fevereiro de 1933, numa cerimónia que reuniu numerosos habitantes e contou com a animação musical das Bandas de Pardilhó e dos Escuteiros da Murtosa, testemunhando a importância que a obra assumia para toda a freguesia.
Poucos meses depois, a 23 de setembro de 1933, procedeu-se à colocação da cobertura. Metade das telhas foi oferecida pelo abastado proprietário José Maria Vagueiro, conhecido pela alcunha de "Ferrôlho", senhor da propriedade de Monte Farinha. O seu contributo revelou-se decisivo para o avanço da construção.
Contudo, a falta de recursos financeiros obrigou a interromper os trabalhos durante vários anos. Apenas em 30 de junho de 1943 foi possível colocar o soalho da capela, sinal de que a obra começava novamente a ganhar impulso.
A conclusão definitiva só seria alcançada em julho de 1948, graças ao empenho do então Reitor da Murtosa, Padre Miguel Henriques, que mobilizou a comunidade e reuniu os meios necessários para finalizar aquele que era um antigo anseio da população do Ribeiro.

Com a conclusão do edifício, o templo passou a ser dedicado a São Tomé, substituindo a anterior invocação de São Roque.

A escolha do novo orago terá sido influenciada pela ligação de José Maria Vagueiro à freguesia de Canelas, no concelho vizinho de Estarreja, onde São Tomé é o padroeiro.

Hoje, a Capela de São Tomé constitui um importante testemunho da devoção religiosa, do espírito solidário e do empenho coletivo da comunidade do Ribeiro. A sua história reflete o contributo de benfeitores, párocos e habitantes que, ao longo de quase duas décadas, tornaram possível a construção de um espaço de culto que continua a marcar a identidade desta localidade.